segunda-feira, 8 de junho de 2015

Las Vegas - I - Viajando sem o filho. Experiência, sentimentos e coisas práticas.

Sei que esta viagem aconteceu em 2013, em outubro, mas como não compartilhei ainda as informações da cidade e dicas, achei que talvez iriam gostar. Nesse post vou começar pela minha experiência de viajar "childless".

Viajando sem o filho - primeira e única vez... Por enquanto.

Bom, na altura da viagem PH tinha apenas 8 meses e tinha acabado de desmamar. E eu estava louca para ter um tempo sozinha, acordando a hora que quisesse, sem ter que me preocupar com comida de criança, chegar cedo, trocar fralda, etc. Quando o bebê nasce, quem não teve filho vai começar a entender... Somos pegas pelo blues puerperal (sentimento meio saudosista meio triste que bate logo após o parto) quando principalmente percebemos que perdemos nossa liberdade, que nunca mais vamos dormir uma noite sequer sem nos preocuparmos com eles, que eles dependem da gente pra sobreviver, que ninguém cuida deles como nós ou seja, que, de um dia para o outro, não seremos mais as mesmas e isso para sempre...

Deixei meu filho com a babá na casa dos meus pais no Vale do Paraíba. E segui pra Vegas. Liguei assim que cheguei no aeroporto (de Guarulhos...rsrsrs). Ele estava bem. No vôo que bateu angústia... Comecei a pensar que se caísse o avião, meu filho iria ficar sozinho e desamparado. Parei de pensar, pois já estava lá e não tinha o que fazer. Mesmo decidir voltar ia implicar numa viagem de avião e então relaxei.

Aliás, preciso contar. Sou uma cagona e morro de medo de avião. A sensação de bater o pé no chão e saber que embaixo só tem ar me aterroriza, principalmente se for em cima do oceano (o que vemos por aquele mapinha que vai mostrando a localização do avião) e que torna mais difícil uma busca por destroços. OK - já me sinto melhor por ter dividido isso com vocês, talvez essa loucura não seja só minha. Alguém mais aí???

O que me faz entrar num avião é ter uma vontade de conhecer um novo lugar maior que o medo. No começo, tomava dramin, dormonid e coisas do gênero (sempre com recomendação médica, ok?). Mas agora, que predominantemente viajo com crianças, não dá. Meu marido dorme ao ouvir as turbinas... E eu fico sozinha com meu filho... Agora filhos, no plural. Se precisarem de algo, preciso estar alerta.

Bom, mas voltando à Vegas, a viagem sem crianças foi sensacional. Dormir de madrugada, depois de um longo jantar e banho de banheira com direito à soneca na água, não tem preço. Acordar, andar sem rumo, passear, comer a hora que der fome (e não a da rotina) e parar no restaurante que der vontade sem querer saber se tem menu kids ou se aceita carrinho, muito menos. Vi meu filho todos os dias pelo Skype correndo com seu andador pela casa dos meus pais (por favor, cada um na sua, ok? Usei andador e usarei de novo com minha filha. Se vc não gosta, não use. Já conheço todos os prós e contras e tomei minha decisão). Namorar, fazer compras e voltar pro hotel pra desmaiar na cama, sem ter a rotina banho, jantar e fazer dormir... Acho que já me expliquei.

Passei 15 dias longe e garanto: cheguei na casa dos meus pais e meu filho não tinha se esquecido de mim. Aliás, se sentiu minha falta, não demonstrou. Achei essa a idade perfeita pra viajar. Com o passar do tempo e quando eles já sabem pedir e reclamar coisas, tudo fica mais difícil. Não tive coragem ainda de viajar de novo sem ele.

Mas já sei que será mais difícil, pois minha filha nasceu e voltei do hospital homeless (lembram que eu contei da mudança? Ela aconteceu BEM enquanto eu estava na maternidade)... Fui pra casa da minha sogra com a bebê e minha mãe, por misericórdia, levou meu filho pro Vale do Paraíba novamente.

Dessa vez, meu filho tinha 3 anos. Passou 5 dias longe. Eu ligava no Skype 3 vezes por dia e conversava com ele bastante. Mas confesso que meu coração quase infartou quando ele pegou sua cadeirinha e veio pra perto da câmera/monitor... Pedi que ele fosse para trás para que eu o visse e ele disse: "não mamãe, quero ficar pertinho de você", fazendo carinho na tela. Chorei.

Então já sei que numa viajem futura a dois vou penar bastante.

Se eu recomendo viajar sem filho: SIM. Foi a única vez que me senti uma mulher independente como antes e isso é libertador.
Condições: desde que fique na casa dos avós ou tios. Ou alguém de muita, MUITA, confiança.
Precauções:
1) Deixe anotados os vôos (com os horários do Brasil para saberem quando você vai estar inalcançável), informações úteis como os telefones de hotel (com os números certinhos para uma ligação internacional) e do pediatra, indicação para que hospital levar o bebê em casos mais sérios.
2) Se o bebê não segue ainda a dieta da casa, deixe as papinhas para os dias da viagem ou a receita se quem for ficar quiser fazer fresquinhas. Já compre o leite e fralda e pomada para os dias para não dar trabalho a quem estiver com o bebê.
3) Leve banheirinha e sabonete. Bem como as mamadeiras e o esterelizador.
4) Cobertor ou naninha do filhote não podem faltar se ele já estiver acostumado com eles para dormir. Ajuda a acostumar numa casa nova.
5) Anote num papel a rotina dos seus filhos: horários que costumam almoçar, comer frutinha, tomar banho, almoçar, jantar, tomar as mamadeiras... Manter a rotina de casa ajuda as crianças a se adaptarem melhor e nem sempre quem vai ficar com eles a conhece.
6) Deixe cópia dos seus documentos, o original do documento do bebê e a carteirinha do plano de saúde dele.
7) Kit farmácia com os principais remédios (febre, dor, diarréia, vômito) e dosagem ANOTADA NA CAIXA.
8) Leve um computador e/ou instale o Skype ou qualquer outro programa de chat online com vídeo para poder ver o seu pimpolho (se for muito pequeno, a saudade será mais por sua parte do que dele, e alivia muito VER que ele está bem). Nem sempre os avós conhecem essas tecnologias.

Alguém tem outra dica ou quer compartilhar a experiência?








6 comentários:

  1. Que ótimas dicas. Queria tanto ter esta estrutura familiar para poder fazer o mesmo... Minhas saídas se resumem a cinema e janta. Mas já é melhor que nada, nem posso reclamar. Beijos minha amiga querida!

    ResponderExcluir
  2. Nada como morar perto da familia e ter apoio....Eu amo o Parents Night Out, pelo menos jantar consigo sem ter papo de crianca a mesa kkkk Adorei Ana

    ResponderExcluir
  3. ai, meu filho tem 7 anos e ainda não criamos esta coragem de deixá-lo. Tanto eu quanto meu marido já fizemos viagem só, mas um de cada vez. Quando meu marido viajou, o Léo ficou comigo e depois chegou minha vez de deixá-lo com o papai! Tudo foi ótimo, mas eu quero muito planejar um passeio a dois... vamos ver... obrigada pelo post, foi um grande incentivo!

    ResponderExcluir
  4. É difícil mesmo depois da maternidade você se sentir alguém além de mãe. Eu acho esses momentos de "folga" importantes e revigorantes. Mas mãe é bicho estranho mesmo...logo,logo a gente já sente saudade.

    ResponderExcluir
  5. ADOREI! Super me idenfiquei com vários detalhes! Eu tenho pavor, pânico, fobia a avião! E com filhos temos que estar alertas, sofro dos mesmos medos que vc... E quanto a viajar sem filhos, nunca fui, mas Morro de vontade... tive um baby bules bem.chato nos dois filhos, pior na segunda filha. Até hj me sinto estranha na verdade... Bjs!

    ResponderExcluir
  6. Primeiro, também MORRO de medo de avião e só vou mesmo porque a vontade de conhecer outros lugares é maior.
    Não tenho filhos, mas posso imaginar tudo que você descreveu ... Como você passa a ficar "presa" a criança depois do nascimento e como é necessária essa liberdade, nem que seja por alguns dias!
    Adorei!

    ResponderExcluir